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15 Nov 2011 As Águas de Lindóia despencaram do céu hoje durante os combates de Recurvo. Há anos um Campeonato Brasileiro não via tanta chuva!
15 Nov 2011 Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco encerrou ontem, com Sarah Nikitin e Daniel Xavier como os grandes medalhistas. Hoje começa a Copa BR
11 Nov 2011 Treino livre do Campeonato Brasileiro correu tranquilo. Amanhã teremos treino oficial, com 146 atletas para dividir apenas 29 alvos.
9 Nov 2011 Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco terá recorde de participantes. Começará sexta-feira 11/11/11, em Águas de Lindóia www.arcoeflecha.net
8 Nov 2011 37º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco terá recorde de participantes (146 inscritos). Veja a lista de alvos em http://t.co/SGxsWkd2
7 Nov 2011 Equipe Brasileira de Tiro com Arco já embarcou para os Jogos Para-Panamericanos de Guadalajara. Bons tiros a todos.
3 Nov 2011 Site da World Archery Federation (FITA) foi hackeado ontem. Estão trabalhando para restabelecer. @worldarchery http://t.co/o8pe0B2y
3 Nov 2011 6 atletas paulistas do Tiro com Arco estão no Palácio do Governo para a entrega da Bolsa Talento Esportivo. Obrigado @esporte_sp
21 Oct 2011 @brasilemlondres Parabéns ao Guilherme pelo excelente trabalho que realiza. E um feliz aniversário! Que seu dia tenha sido muito bom Abs.
20 Oct 2011 Daniel Xavier bateu um 6 e perdeu do mexicano Juan Rene Serrano no quinto e último set e foi eliminado do Tiro com Arco em Guadalajara.
20 Oct 2011 Serrano erra o terceiro tiro do quarto set e cede o empate em 4 a 4 para o brasileiro Daniel Xavier. Quem ganhar o próximo set vai p/ SEMI
20 Oct 2011 Serrano empata a disputa com Daniel Xavier (BRA) no segundo set - 2 a 2 - na quarta de final do tiro com arco em guadalajara. #Time Brasil.
20 Oct 2011 Daniel Xavier abre o primeiro set ganhando do mexicano Serrano. 2 a 0 Brasil. Quem fizer 6 pontos primeiro ganha. Cada set vale 2 pontos.
20 Oct 2011 Atletas prontos para disputar as quartas de final do Tiro com Arco em Guadalajara. Terra está transmitindo as imagens ao vivo.
20 Oct 2011 Daniel Xavier está nas quartas de final do Tiro com Arco no #Pan de Guadalajara 2011. Enfrentará o mexicano Juan Rene Serrano. #timebrasil
20 Oct 2011 Gustavo Trainini foi eliminado nas oitavas de final pelo mexicano Juan Rene Serrano, que enfrentará o brasileiro Daniel Xavier nas quartas.
20 Oct 2011 Gustavo Trainini empata com o Mexicano Juan Rene Serrano no segundo set (2 a 2). Serrano foi o porta bandeiras do México. Quem fizer 6 ganha
20 Oct 2011 Fabio Emílio perde no round 1/16 para o americano Jake Kaminski (10 colocado no round de qualificação).
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PostHeaderIcon Algumas histórias do Arco e Flecha Brasileiro – Capítulo II

Notícias - Opinião

marcelinho_medalhaNa sexta-feira, 14/5, o atleta Marcelo Roriz Jr. enviou uma carta aos atletas e dirigentes do Tiro com Arco Brasileiro. Nela, questiona e explica vários de seus pontos de vista com relação ao esporte e à Confederação Brasileira. É um texto longo, mas que faz parte da leitura obrigatória a todos os atletas.

__________________________________________________________________________________________________________________

Peço licença e paciência a cada um para ler as próximas linhas com carinho para que possamos construir um debate saudável sobre os projetos esportivos nesse país, especialmente, o que se pensa e o que se faz no e para o Arco e Flecha no Brasil.

No mês de dezembro de 2009 escrevi um texto chamado Algumas histórias do Arco e Flecha Brasileiro. Muitos dos que agora lêem esse novo texto me mandaram mensagens dizendo que gostaram de ler aquelas palavras, pois muito do que pensavam ou sentiam estava lá exprimido. Outros criticaram alguns pontos, dizendo que eu estava errado, mas esse é o debate saudável de ideias. E outros sequer responderam ou comentaram, adivinhem quem?

O título desse segundo texto foi acrescido das palavras "Capítulo II". Esse é um debate constante. Outros capítulos ainda virão e tomara que seja recheado de elogios, mas, por enquanto é necessário uma série de críticas ao modo como o Arco e Flecha está sendo conduzido no Brasil.

Esse é um texto para refletirmos e debatermos sobre o que queremos e o que teremos se as políticas e ações tomadas pelos dirigentes do esporte no país continuarem. Se isso for mantido que esporte teremos no futuro?

Alguém, por acaso já viu alguma proposta de política planejada em relação ao Arco e Flecha? Alguém, algum dia, já viu um projeto de esporte bem conduzido? Nesse país, nunca se discutiu nenhum projeto de esporte, as atitudes dos dirigentes são sempre no sentido de uma política baixa, de favores, de prestações de contas mal conduzidas, de assembléias onde se discutem pessoas e fatos, mas não ideias. Esse é o problema do esporte no Brasil, aqui não se debatem ideias, não se coloca sobre a mesa temas interessantes para se discutir o melhor caminho.

Estive durante a primeira semana de maio na disputa da I Etapa da Copa do Mundo 2010, na cidade de Porec – Croácia. Naquela oportunidade terminei a competição na 9ª colocação individual, alcançado meu mais expressivo resultado internacional, mas ainda longe daquilo que realmente almejo. Venci dois combates eliminatórios contra grandes nomes do Arco e Flecha mundial. No primeiro, derrotei o australiano Patrick Coghlan (3º colocado geral na Copa do Mundo 2008). No segundo, em uma disputa emocionante decidida apenas na flecha de morte (flecha de desempate) derrotei o salvadorenho Jorge Jimenez (que dispensa apresentações e é o atual 2º colocado no ranking mundial). Acabei sendo derrotado para o grande Morgan Lundin, da Suécia, apenas campeão mundial Field, Indoor e Outdoor em 2005.

Antes que alguns digam que tudo isso que escrevo foi porque a Cbtarco não me enviará para a II Etapa da Copa do Mundo, no mês de junho na Turquia, explicarei o que se passou.

A Cbtarco na pessoa de seu diretor técnico, estipulou que para um atleta ser enviado para a II Etapa da Copa do Mundo deveria marcar pelo menos 7 pontos na disputa da I Etapa. Em 12 de março de 2010 foi publicado no site da entidade o seguinte:

Segundo definição do Diretor Técnico da CBTARCO Sr. Eros Fauni, os atletas que irão participar da 1ª Etapa da World Cup em Porec na Croácia, só irão para a 2ª Etapa na Antalya se fizerem um mínimo de 7 pontos na competição.
(Fonte: http://www.cbtarco.org.br/?pg=noticia&vernoticia=70)

Esse critério foi criado baseado na forma de pontuação da Copa do Mundo em 2009, como se segue abaixo:

1st place: 25 points 9th place: 8 points
2nd place: 21 points 10th place: 7 points
3rd place: 18 points 11th place: 6 points
4th place: 15 points 12th place: 5 points
5th place: 13 points 13th place: 4 points
6th place: 12 points 14th place: 3 points
7th place: 11 points 15th place: 2 points
8th place: 10 points 16th place: 1 point

A Copa do Mundo vem se tornando o principal evento do Arco e Flecha mundial. A Federação Internacional de Tiro com Arco (FITA), entidade com um projeto de esporte e ações nesse sentido, colocou a Copa do Mundo como seu carro chefe na promoção do esporte no mundo e vem tendo grande retorno, visibilidade e patrocinadores com esse tipo de evento. Dado o crescimento do evento, a FITA estipulou que agora o número de arqueiros que disputam as grandes finais da Copa do Mundo após quatro etapas serão oito arqueiros por categoria, ao invés de quatro como anteriormente.

Além disso, as regras dos rounds eliminatórios (combates) foram alteradas para o sistema de disputas de sets para trazer ainda mais emoção à disputa e para facilitar o entendimento do público expectador. Nesse sistema, todos os atletas que perdem na fase oitavas-de-final como foi meu caso terminam na 9ª colocação geral:

9 RORIZ JR. Marcelo BRA
(Fonte: Site FITA – http://www.archery.org – World Cup – Ranking – Compound Men)

Segue abaixo tabela comprobatória do atual ranking da World Cup 2010:

worldcup_1_2010

Porém, a FITA alterou o sistema de pontuação para o ranqueamento da Copa do Mundo para a seguinte forma:

1st place: 25 points 9th place: 5 points
2nd place: 21 points 10th place: 5 points
3rd place: 18 points 11th place: 5 points
4th place: 15 points 12th place: 5 points
5th place: 13 points 13th place: 5 points
6th place: 12 points 14th place: 5 points
7th place: 11 points 15th place: 5 points
8th place: 10 points 16th place: 5 point

Dado isso, a regra foi modificada no meio do jogo. E a direção da Cbtarco decidiu que eu não atingi o critério anteriormente estipulado e por isso não deveria ser convocado para a disputa da II Etapa.

Se for para ser cumprido o rigor da norma, deveríamos discutir a questão do direito adquirido e os critérios sobre os quais a lei fora criada. Porém, nesse caso, um princípio do Direito que acho maravilhoso cairia muito bem, diz esse princípio que: "Se um dia encontrares o Direito em conflito com a Justiça, lute pela Justiça". Qual fora o espírito da lei desejado pelo legislador?

E se a FITA alterasse a regra dizendo que os 64 atletas que entrassem para o combate seriam pontuados, por exemplo, com a seguinte distribuição de pontos: 64 pontos para o primeiro colocado e 1 ponto para o 64º colocado. Desta maneira, o 58º lugar receberia 7 pontos. Assim a regra estipulada pela Cbtarco seria cumprida, como foi argumentado pela diretoria da entidade, mas concordam que não tem o mesmo valor? Concordam que tecnicamente há uma grande diferença de nível? O que agora eu luto é porque fiquei na nona posição em uma competição de altíssimo nível e essa nona colocação tem sim valor e merece o reconhecimento.

É nesse sentido que eu gostaria que as decisões fossem tomadas. Que a justiça esportiva prevalecesse. Que se por algum detalhe um atleta corra o risco de deixar de estar em um campeonato internacional representando seu país, que a melhor decisão esportiva seja tomada. Sobre isso escrevi um e-mail endereçado ao Secretário Geral da Cbtarco, Sr. Rubens Terra Neto e ao Diretor Técnico da entidade, Sr. Eros Fauni:

Mais uma vez, lamento muito que, a regra da Copa do Mundo alterada no meio do jogo pela Fita, tenha sido a causa da minha não ida para a II Etapa.

9º colocado na Copa do Mundo no sistema anterior me daria 8 pontos, exatamente acima do ponto de corte determinado pela Cbtarco.

Fica aquela sensação de impotência diante dos fatos e diante das pessoas que escolhem.

O atleta, mais uma vez, parece ficar "mendigando" as coisas.

Oxalá, um dia, o ESPORTE vença. Depois de um belo resultado, estar há uma posição da zona de classificação para as finais ainda faltando 3 etapas, em um momento bem legal com os tiros evoluindo, não há uma ducha de água fria tão desmotivante como essa.

Amo atirar flechas e é isso que ainda me anima a manter meus tiros, pois sei que posso render ainda mais.

No Brasil é sempre assim, primeiro as burocracias, federações, administrações e depois, bem depois, os atletas. Estamos falando de míseros R$ 5.000,00 (custo da viagem para Turquia com passagem, inscrição, hospedagem e alimentação) diante de tão grande orçamento a ser utilizado para o esporte. R$ 5.000,00 representa muito pouco, mas muito pouco mesmo!

Chegará um dia que teremos aqui um projeto de esporte planejado, com respeito às pessoas que disparam suas flechas porque amam. Nada além disso.

Chegará um dia que os resultados de brasileiros no exterior serão frutos de uma base sólida e não de raros talentos.

Chegará o dia que a iniciativa privada estará de tal forma envolvida no esporte que as burocracias serão apenas detalhes institucionais.

Chegará o dia que os atletas serão as estrelas.

Não sei se nesse dia futuro ainda estarei disparando minhas flechas, mas até lá vou fazer de tudo para que quando esse dia chegar eu possa olhar para trás e ter a certeza de que tentei contribuir para o crescimento do esporte no país.

Todos que estão hoje envolvidos no esporte passarão, todos nós que estamos envolvidos no Arco e flecha simplesmente deixaremos boas ou más recordações na história do esporte. Alguns deixarão registradas algumas manchas e outros, caso fosse possível ao menos participar, desejariam deixar conquistas.

Marcelo Roriz
ATLETA, simplesmente ATLETA

Após o envio deste e-mail e em algumas conversas por telefone recebi as justificativas de que o que a Cbtarco fazia para o arco composto era muito. Que a "Cbtarco luta muito pelo composto". Lógico que ela deve olhar para essa categoria, ela é a nossa entidade representante, se ela não lutar e defender os interesses da modalidade, quem irá?

Durante as discussões, até levantei a absurda hipótese de que uma Confederação Brasileira de Tiro com Arco Composto deveria ser criada, separando a atuação da Confederação Brasileira de Tiro com Arco Recurvo. Lógico que isso não é necessário e é uma proposta absurda, mas parece que o arco composto é um câncer. Mais uma vez, não quero aqui jamais criar atritos com os atletas de arco recurvo, são arqueiros também vestidos da mesma vontade de vencer. Torço muito pelo desenvolvimento da modalidade e reconheço o esforço de cada amigo que lá tenho para chegar onde chegou. Tipos de arco são apenas categorias diferentes e nada mais, assim como na natação existe o nado peito e o nado borboleta, ou na vela a classe Laser e a classe Star, ou no atletismo o arremesso de peso e o lançamento de dardo, cada uma com suas peculiaridades e técnicas.

O arco composto é uma categoria do tiro com arco valorizada pela FITA assim como o arco recurvo, ambos participam de todas as competições internacionais organizadas por essa entidade. A FITA hoje luta incansavelmente pela inserção da categoria no programa olímpico. São apenas diferenças técnicas e nada mais.

O trabalho da FITA para inserção do arco composto nos Jogos Olímpicos passou pela modificação das regras de disputa da categoria para se diferenciar do recurvo e criar atrativos para uma nova modalidade. Pensando nisso, países com projeto esportivos fortes como a Coreia do Sul (potência mundial no arco recurvo) já antevendo as evidências futuras já tem equipes fortes de arco composto, inclusive conquistando a medalha de prata no composto feminino no último Campeonato Mundial. Será que lá eles têm um projeto de esporte? Arqueiros se lapidam, não nascem a todo dia. Então o trabalho começa agora, ou melhor, deveria ter começado ontem, para colhermos grandes frutos amanhã.

Mas no Brasil, nós, atletas de arco composto, sempre recebemos a notícia de que não somos tão valorizados, que o Comitê Olímpico Brasileiro não valoriza nossa categoria. Será que não mesmo? Sinceramente, acredito que o COB valorize sim os atletas, independente das categorias. Até porque, acredito, que o COB guie suas ações pelo espírito esportivo, com certeza e olha com bons olhos para os atletas que representam bem o país e conquistam importantes resultados. Pensando num projeto de longo prazo, como sempre se deve fazer em questões esportivas, especialmente em um esporte como o Tiro com Arco, tenho certeza que é orgulho para o COB ter atletas de tão alto nível na categoria arco composto representando o Brasil no exterior.

O arco composto participa de competições internacionais como Jogos Sulamericanos, Campeonato das Américas e Campeonatos Mundiais, que, até onde compreendo, tem importante valor perante o mundo esportivo e junto ao COB. Além disso, o arco composto já trouxe expressivas conquistas ao país, especialmente, na pessoa do grande Roberval dos Santos, que sobre seu currículo nem preciso discorrer. Essa mesma categoria que parece um problema em muitos momentos, é a mesma categoria que rende glórias à Cbtarco, como, por exemplo, no Campeonato das Américas 2008 onde os atletas de arco composto que lá estiveram ganharam inúmeras medalhas para o Brasil, além das expressivas conquistas de Copa do Mundo.

Muito do que não foi conquistado tanto no recurvo quanto no composto, tenho a certeza é pela falta de planejamento esportivo e de ações errôneas dos dirigentes desse país, que nunca proporcionaram reais condições para um atleta se desenvolver perfeitamente.

O arco recurvo brasileiro tem agora uma oportunidade de se evoluir com a vinda do técnico coreano Lim. Mas qual o real projeto para o técnico coreano contratado? Como será feita a integração dele aos técnicos de cada atleta? O que a Cbtarco, na pessoa de seu diretor técnico, fez para uma integração profícua?

Voltando a citar o nome do Roberval dos Santos, o Tico, e abrindo um parênteses, gostaria aqui de ressaltar as qualidades desse grande atleta. Para mim, o maior arqueiro brasileiro dado as suas expressivas conquistas internacionais, sem me esquecer de Renato Emílio, representante brasileiro em 4 olimpíadas. Mas sobre Roberval, ele é respeitadíssimo no exterior e reconhecido como um dos melhores arqueiros do mundo. Duas passagens sobre o Tico demonstram isso:

- Alirio Duran, técnico da Venezuela, conhece 35 países, já viajou o mundo inteiro por meio do Arco e Flecha, técnico da vencedora da Copa do Mundo 2009, Luzmary Guedez. Durante uma conversa que tive com ele em Medellin nos Jogos Sulamericanos 2010, Alirio me diz: "Roberval dos Santos tem a melhor técnica do mundo". Alírio é um desses apaixonados pelo esporte que se entrega diariamente a conhecer profundamente sobre essa arte. Um comentário como esse tem grande valor.

Outra passagem de Roberval: As finais de Copa do Mundo geralmente são disputadas em locais inusitados. Em Santo Domingo 2009, foram disputadas na Praça de Colombo, atração turística da cidade onde Cristovão Colombo desembarcou na América em 1492. Nesses casos, o campo de treino não é o mesmo campo da disputa das finais. Assim, Tico foi convidado pela Federação Internacional de Tiro com Arco para avaliar se as miras do campo de treino eram as mesmas do campo das finais. Tico foi lá, disparou suas flechas e confirmou que as condições e distâncias nos dois campos eram as mesmas. Com certeza, a FITA não chamaria qualquer um!

Pois bem, caríssimos, esse mesmo Roberval dos Santos, reconhecido, vencedor da Copa do Mundo Turquia 2006, 3º melhor arqueiro do mundo em 2007, recordista panamericano outdoor, etc, etc... esse arqueiro que durante tanto tempo rendeu inúmeras glórias ao país não recebe o reconhecimento dos dirigentes do esporte nacional. Tico, deveria ser ferramenta de disseminação de conhecimento e experiências, exemplo para as gerações futuras de que com dedicação e treinamento se chega lá. Tico, até chegou a trabalhar junto à Cbtarco no projeto de Maricá, mas não concordando pela maneira que as coisas eram conduzidas por lá, abriu mão do seu vínculo com a entidade, e, desde então, não recebe nenhum tipo de apoio da Cbtarco. É assim o tratamento deferido a um ídolo!

Aliás, sobre Maricá, uma das lamentações do técnico coreano e de todos que estiveram no Centro de Treinamento em Maricá é sobre as condições do local. Maricá merece, mais uma vez, atenção especial. Não se pode estar tranqüilo em um local onde pernilongos e mosquitos incomodam tanto as pessoas que lá estão, que não é possível nem treinar no fim de tarde. Isso não pode ser chamado de um Centro de Treinamento. Maricá está mal localizado, a região era um brejo, alagamentos serão um problema constante no verão e a proliferação de mosquitos também. Maricá tem um banheiro para cada oito pessoas. Em Maricá, não se pode ligar três chuveiros simultaneamente pois a energia cai. Em Maricá, nos quentes verões cariocas, não se tem ar-condicionado nos quartos. Em Maricá não se tem faculdades perto.

Quero ver o pai que terá coragem de colocar seu filho para viver em um Centro de Treinamento distante de uma faculdade. Esporte e estudo tem que caminhar juntos. Imagine a seguinte situação: um garoto talentoso de 16 anos de idade, prestes a prestar vestibular tendo a oportunidade de estudar em uma faculdade que tenha um convênio com a Cbtarco e esteja localizada próximo ao Centro de Treinamento. Nesse local, o atleta terá moradia, condições de treinamento, tempo para estudo e ainda receberá uma ajuda de custo mensal. O pai saberá que seu filho está freqüentando um ambiente saudável, envolto de outros atletas que lá estão pelos mesmos objetivos e que seu filho terá acompanhamento técnico para desenvolvimento de seu talento esportivo. De algo assim, se forma um campeão, não somente no esporte, como na vida também.

Então, esse "garoto prodígio", poderia, por exemplo, ser Bernardo Oliveira, atleta de arco recurvo de Brasília, que em uma reportagem no site Globo.Com diz que sonha em treinar no exterior. Acho realmente que ele está certo, pois o que ele encontrará aqui no Brasil não está à altura do que ele pode evoluir e conquistar. Infelizmente é essa a realidade. A íntegra dessa reportagem está no link:

http://www.espbr.com/noticias/fa-rock-quimica-promessa-tiro-arco-sonha-vaga-olimpiadas

Seria muito bom ver esses talentos se desenvolvendo dentro do Brasil. Que o exterior fosse apenas palco de celebração das conquistas brasileiras e não local de treinamento de nossos talentos.

César Cielo é um fenômeno da natação brasileira porque ele foi para os EUA treinar, mas também estudar. Assim como Gustavo Borges nos EUA também o fez e hoje é uma referência de profissional que após se aposentar das piscinas, por sua formação sólida, continua trabalhando ativamente para o desenvolvimento do esporte.

Voltando ao assunto ida para a Copa do Mundo da Turquia, recebi a proposta da Cbtarco da possibilidade de que eu poderia ir para a Turquia com as despesas de inscrição e hospedagem pagas pela Cbtarco e eu arcaria somente com as despesas de passagem aérea. Na atual situação e com uma gana muito forte e vontade de estar lá para participar e ganhar, apesar de não ser o mais correto pois tinha o direito de ir com tudo pago pela Cbtarco, aceitei a proposta e me coloquei atrás da emissão da minha passagem. Porém, algumas horas depois fui surpreendido com a mensagem de que nem as despesas ora prometidas seriam pagas pela Cbtarco. E a motivação do atleta, onde fica? Estão lidando com sonhos. Sonho de estar em uma Copa do Mundo e vencer!

Sinceramente, a sensação que fica é que entidade e atleta são coisas concorrentes. Qual o real objetivo de uma Confederação? Se eu não estiver enganado, pelo que entendo é de organizar e promover o esporte no país, desenvolver tecnicamente o esporte, representar o país nos organismos internacionais e cuidar dos seus atletas, fazendo com que eles participem de competições e carreguem a bandeira nacional nos diversos cantos do mundo. Isso é o que eu penso sobre uma Confederação atuante. Isso é o que eu penso, mas entre o pensar e a realidade...

Mas, ainda assim, pedi à entidade que minha inscrição fosse feita, pois ainda estou tentando viabilizar a ida para essa importante competição com as despesas pagas por mim ou por algum patrocinador que acredite no atleta, pois a minha entidade representativa, para a qual anualmente pago uma taxa para estar filiado, parece não acreditar.

Na discussão de projetos de esporte e envio de atletas à Copa do Mundo, foi levantado que o Brasil reclama de barriga cheia. Um diretor da Cbtarco me perguntou se eu sabia como era o sistema norte-americano para envio de atleta à competições internacionais no arco composto. Respondi que conhecia sim e completei dizendo que o sistema americano era perfeito. Para quem não sabe, os atletas de arco composto dos Estados Unidos viajam por conta de seus patrocinadores e não por conta da Federação norte-americana. Que mundo ideal, perfeito, tomara que uma dia cheguemos a esse estágio no Brasil. Enxergo isso como um altíssimo nível de desenvolvimento do esporte!

Para não comparar com os EUA, potência econômica e potência em quase tudo que eles fazem, inclusive no Arco e Flecha, podemos realizar comparações com países semelhantes ao nosso, como México e Venezuela.

O México é um exemplo de projeto bem conduzido, em um planejamento de longo prazo, com renovação constante de equipe, atletas que recebem salários para se dedicarem exclusivamente ao esporte, centros de treinamento bem localizados e próximo a faculdades. Os frutos disso são arqueiros mexicanos muito bem posicionados em competições mundiais constantemente.

A Venezuela, oferece também boas condições aos seus atletas. Oferece-lhes oportunidades, treinadores efetivos e capacitados, planos de treinamento, participações constantes em campeonatos internacionais e retornos financeiros para aqueles atletas que se sobressaem, resultados: maior número de medalhas nos Jogos Sulamericanos 2010 no Tiro com Arco e atleta campeã geral da Copa do Mundo 2009 na categoria composto feminino.

A política no esporte me chama sempre a emitir opiniões, tantas atitudes são tomadas sem um planejamento correto ou muitas vezes nem são tomadas. Esses excessos de erros e omissões machucam aqueles que querem ver esse esporte grande.

Nesse sentido, apresento uma série temas para debatermos. Muitos desses temas já foram enviados à Cbtarco no fim do mês de março, mas até hoje não recebi nenhuma resposta.

Reconhecimento

A equipe brasileira, composta por arqueiros de arco recurvo e compostos, cumpriu com honradez o esperado nos Jogos Sulamericanos. Cumprimos (leia-se atletas de arco recurvo e composto JUNTOS, como deve ser!) a meta de 20 medalhas estipulada pela Cbtarco. No caso da formação da meta o arco composto, para a Cbtarco, serviu, pelo menos, para formar o número. Ao todo foram 21 medalhas conquistadas pelo Brasil no geral. Nem a Diretoria Técnica nem a presidência enviaram à equipe nem ao menos um PARABÉNS pelo desempenho. Falta carinho no tratamento ao atleta, falta consideração ao esforço de cada um!

Observação importantíssima: recebi no dia 10 de maio de 2010, 45 dias após a competição, uma carta da entidade com o reconhecimento do esforço. Isso mesmo, 45 dias após! Cumprimente alguém 45 dias após o seu aniversário e verás a vergonha que irá passar. Melhor nem fazê-lo.

Centro de Treinamento de Maricá

Qual é o real projeto para aquele Centro de Treinamento?

Quanto custa o Centro de Treinamento por mês?

Quanto foi realmente gasto para realização daquelas obras? Quando ainda irá custar para ser finalizado?

As pessoas que hoje lá estão realmente PRODUZEM aquilo que se espera delas e, principalmente, há retorno para o grande volume de dinheiro lá investido?

Meu grande medo é Maricá ser um ralo de dinheiro e o retorno não aparecer.

Gastos x Retornos

Atualmente os maiores gastos da Cbtarco estão indo para o custeamento do CT de Maricá e para, principalmente, custeamento de técnicos em cada estado para aumento do número de praticantes e estruturação do esporte nos estados. Concordo que dividir o bolo é uma boa medida, mas como esse bolo está sendo dividido?

Qual o retorno desse dinheiro investido?

Quais as métricas para avaliar esse desempenho em cada estado?

Apoio aos atletas

Atletas querem realmente saber qual apoio será dado a eles?

Recebimento de equipamentos pelos atletas: por que alguns receberam após os Jogos Sulamericanos e outros não?

Atletas receberão ajuda financeira?

Se o problema de repasse de valores aos atletas é a questão do Bolsa-Atleta é melhor o atleta abrir mão da bolsa e receber um dinheiro que realmente faça sentido e o ajude em suas despesas.

Outras Confederações conseguem apoios de empresas privadas para custear suas seleções, como na ginástica, na qual atletas iniciantes na seleção recebem cerca de R$ 3.200,00 mensais. Precisamos de conseguir esse tipo de parceria. O arco precisa inovar e se mostrar atrativo ao público para que a iniciativa privada tenha interesse em patrocínios. E nossos dirigentes precisam fomentar políticas de patrocínio efetivas.

Arco e Imprensa

No blog da Cbtarco nos Jogos Sulamericanos 2010, foi lá escrito que "Nos combates do Recurvo, a maior dificuldade foi enfrentar o assédio da imprensa, tinha mais de 5 câmeras de emissoras de TV diferentes, inclusive da TV record, para mostrar as favoritas da Colômbia e o garoto prodígio dos jogos, o Bernardo. Com todo este assédio, foi difícil para o Bernardo se controlar" (Fonte: www.cbtarco.org.br/blog)

Concordo que não é fácil lidar com assédio, mas as oportunidades de ver o esporte na TV são raríssimas e quando ainda aparece, algo assim não pode ser comentado. Reclamamos tanto da falta de cobertura de mídia em nosso esporte, então não podemos criticá-la. Para quem lê, parece que camêras são um problema para os atletas e, na verdade, tem que ser o contrário. O lugar do esporte é na televisão! Só estando nas telas e próximo do público que veremos nosso esporte crescer.

Padrão de Campeonatos Brasileiro

Acho que o Campeonato Brasileiro deve ter uma atuação bem próxima da CBTARCO para avaliar e garantir a qualidade da Competição.

Imagino que deva ser feito um Livro de Exigências que a cidade / entidade organizadora deve cumprir.

Um exemplo de alguma dessas exigências: Finais de combates em separado, pois isso é alinhar o esporte no Brasil ao que acontece no exterior. Pelo segundo ano seguido não teremos esse tipo de finais na competição nacional. As finais são a melhor forma de atração de público, é o momento de emoção no arco, precisam então serem valorizadas.

Legado para o Arco e Flecha dos Jogos Panamericanos Rio 2007 e Jogos Olímpicos Rio 2016

O que ficou ou ficará na cidade do Rio de Janeiro? Nada!

O Arco e Flecha brasileiro perde as 2 maiores oportunidades de ter um campo ideal para a modalidade.

A equipe brasileira esteve em Medellín – Colômbia para a disputa dos Jogos Sulamericanos 2010, um campo maravilhoso! Quem esteve lá viu.

medellin
Vista do Campo de Medellín

O Brasil estará em Guadalajara – México, cidade sede dos próximos Jogos Panamericanos. Em outubro a seleção brasileira e dirigentes estarão lá para a disputa do Campeonato das Américas, ao chegar lá se surpreenderá com a qualidade da obra feita

guadalajara
Vista do novo campo de Guadalajara

O que Colômbia e México possuem e o Brasil não?

Colômbia e México, com certeza, tiveram atuação forte de seus dirigentes para que dos eventos que aconteceram ou acontecerão ficasse um legado para o Arco e Flecha naqueles países.

Fazer uma política no sentido verdadeiro da palavra política é extremamente necessário para o esporte conquistar aquilo que será importante para seu desenvolvimento. E o Brasil perdeu as suas duas maiores oportunidades de ter um campo referência no mundo e que, após as competições se tornasse celeiro de futuros campeões.

Na segunda-feira, após as disputas das finais do Arco e Flecha, na Marquês de Sapucaí nas Olimpíadas 2016, irão desmontar todo o local da disputa e ali estará indo também o fim do sonho de um campo de referência mundial para o esporte.

Seleção Brasileira

A atleta Dirma Miranda, esposa do diretor técnico da Cbtarco Sr. Eros Fauni, convocada para a disputa da I Etapa da Copa do Mundo de Tiro com Arco na Croácia desistiu da vaga. A Cbtarco não apresentou a ninguém as justificativas da não ida da atleta. Ela estava machucada? Por que não houve substituição da atleta?

Relações Públicas e Assessoria de imprensa

Joana Blumenschein, filha do presidente da Cbtarco, Vicente Blumenschein, no organograma da entidade publicado em seu site, está como Diretora de Relações Públicas e Relações Exteriores. O que foi feito de relações públicas e contatos com a imprensa por parte da Cbtarco ultimamente? Pelo que acompanho pelo site algumas poucas matérias pontuais em jornais ou reportagens em TV. Mas tudo isso muito mais por interesse da própria mídia do que por um trabalho pró-ativo por parte da entidade.

Enfim, uma série de questionamentos e temas que precisamos discutir. Mas discutir ideias é complicado, demanda conhecimento e preparo. Demanda dedicação daqueles que definem os rumos do esporte no país. Demanda ir a reuniões, visitar os estados, conversar, pensar, estudar, buscar soluções, inovar e sair do lugar comum. Se um dia foram eleitos para serem os líderes do esporte no país é porque, imagino que aqueles que votaram acreditaram que eram pessoas preparadas para estarem nos cargos que estão.

Inclusive, senhores presidentes de Federações Estaduais, cobrem mais dos dirigentes. Cobrem o debate de ideias. Cobrem políticas eficientes. Cobrem ações de grande alcance. Cobrem políticas efetivas de proliferação da modalidade. Cobrem a ida dos dirigentes ao seu estado para conhecer a realidade local de cada um.

Por que não se discute essas coisas?

Por que não se planeja o esporte?

Sonho o dia em que discutiremos apenas questões esportivas. Sonho o dia que o esporte será o ator principal. Sonho o dia que os atletas serão as estrelas. Enquanto o sonho não se realiza, espero que as flechas no alvo sejam os motivos das decisões.

Há cinco meses atrás escrevi que tinha muito orgulho de ser um atleta de ponta e poder representar meu país em competições internacionais. Porém, de algum tempo para cá, esse orgulho vem sendo machucado. O atirar bem e conquistar não vem sendo suficiente para me trazer a alegria de estar envolvido no esporte. Quando conheci o arco mais profundamente, infelizmente me deparei com uma estrutura burocrática e com situações que se espera talvez encontrar na política ou em tribunais, mas jamais no esporte. Hoje, sinceramente, quando viajo ao exterior, até o orgulho de representar meu país está ferido. Mas, por outro lado, sei que o Brasil é muito maior do que aqueles que hoje lá estão;

Mas isso não desanima. Para aqueles que amam o esporte isso deve ser combustível para os treinos e superação dos limites. Se deixarei de estar em uma seleção ou deixarei de ir a uma competição internacional por exprimir aquilo que penso, isso é detalhe, o preço está aí para ser pago. Amo representar meu país, por isso luto tanto para ver esse esporte forte. O sonho de conquistas e de ver o Arco e Flecha no lugar que desejamos continua.

Marcelo Roriz

 

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