Gustavo Trainini se sente desvalorizado, mas ainda sonha com Rio-2016
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Com uma Olimpíada no currículo, atleta do tiro com arco diz ao portal R7 que conta apenas com suas forças para alcançar seu objetivo.
Luiz Gustavo Trainini esperou 12 anos para a iniciar a busca de seu sonho. E mais três para vê-lo realizado. Hoje, aos 32 anos e pouco tempo depois do auge, abandonou o esporte de alto rendimento porque se sentiu abandonado por ele.
Após representar o Brasil nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, o atleta do Tiro com Arco esperava ver seu esforço recompensado. Afinal, o país estava ausente da modalidade nos Jogos desde Barcelona, em 1992.
- Me sinto desvalorizado. Sou apaixonado pelo tiro com arco desde que tenho 14 anos. Como é um esporte caro tive que esperar até os 26 para começar a treinar. Me formei em Biologia e só aí pude comprar um bom arco, que custa por volta de R$ 5 mil. Depois de apenas três anos de prática já consegui representar o Brasil em uma Olimpíada.
Mas o que veio na sequência não o agradou, e agora ele luta para provar que pode estar nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016.
O resultado em Pequim não foi o esperado, mas a sorte jogou contra. Trainini conseguiu a classificação para a primeira fase justamente para enfrentar o coreano Kyung-Mo Park, que venceu o brasileiro e seguiu invicto até a final, quando foi superado por um ponto pelo campeão e ficou medalha de prata.
Mesmo eliminado logo na primeira rodada, Trainini considerou que a experiência que teve poderia ser extremamente importante nos campeonatos que viriam depois, inclusive os Jogos de Londres, em 2012, e do Rio, em 2016.
Com a presença em Pequim, o atirador deu lucro imediato à Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTarco), que passou a receber R$ 800 mil por ano do Ministério do Esporte, o dobro do que recebia quando não tinha nenhum atleta olímpico.
- Quando eu voltei de Pequim, não recebi nem um e-mail me valorizando. Não tive nenhum retorno financeiro, nada. Ainda reclamaram do meu resultado, mas não me ajudaram a torná-lo melhor. Só meu clube, a Sogipa, me reconheceu. Não quero criar tumulto, mas tenho que dizer como é a realidade.
A desilusão foi tão grande que Trainini largou o tiro com arco logo após a Olimpíada. Sem incentivo, o atleta percebeu que não poderia depender apenas do esporte para ter uma boa condição de vida. Mas o objetivo de representar o Brasil na Olimpíada de 2016 se manteve vivo. O trabalho como biólogo virou então o único meio para alcançá-lo.- Tive que largar o arco e flecha depois da Olimpíada para poder trabalhar. Já esqueci o Ministério do Esporte. Fiz minha inscrição para receber o Bolsa-Atleta no começo de 2009, não recebi nada e nem acho que vou receber. Quero competir no Rio em 2016, independente da Confederação ou de qualquer outra entidade. Estou guardando meu dinheiro para poder voltar treinar forte em 2011. Vou continuar com meus próprios recursos.
Se vencer os obstáculos e chegar à Olimpíada de 2016, Trainini poderá ter como companheiro de delegação o jovem Bernardo Oliveira, de 16 anos, destaque do tiro com arco nos Jogos Sul-Americanos com quatro medalhas de ouro. Bernardo é uma das apostas na modalidade em 2016.
Ao contrário do que teve à sua disposição, o experiente atirador diz que espera que o jovem possa contar com uma equipe bem estruturada pela CBTarco, que já contratou um técnico sul-coreano, país de maior tradição na modalidade, para treinar os jovens atiradores. Mas não acredita que isso vá acontecer a curto prazo.
- O Bernardo é muito bom e está no caminho certo, mas acho que daqui a pouco ele vai perceber que o nosso esporte não dá retorno. Uma medalha olímpica é resultado de uma engrenagem perfeita. Desde os técnicos, confederação, COB, tudo tem que estar em harmonia. Se uma peça não se encaixa, não dá certo, e acho que os responsáveis estão acordando tarde para que tudo fique bem.
Esta matéria foi publicada em 4/4/2010 no Portal de notícias R7, escrita por Gustavo Alves.Clique aqui para ler a matéria original.
